segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A primeira pedalada foi dada

Faz duas semanas a empresa na qual eu trabalho mudou de local e minha rotina, que estava tão acertada, também mudou. Eu, como morador da Paulista, ia para a região do Metrô República a pé, gastando cerca de 20 minutos para descer a Rua Augusta. Era um caminho relativamente simples e sem percalços.

Com a mudança do local de trabalho, surgiu um novo desafio. Continuar meu hábito de ir caminhando para o serviço (que agora se encontra na região da Faria Lima x Avenida Cidade Jardim) agora se tornara mais complicado. Antes eu apenas andava dois quilômetros, agora teria que vencer o triplo.

Tomei a decisão de ir de ônibus, até então a mais conveniente e quase porta-porta. Porém, para mim foi surpreendente que ele demorava quase 30 minutos simplesmente para descer vencer 6 Km. Até então, eu tinha passado 4 anos sendo livre 'como um pedestre' e ver-me preso para vencer tão pouca distância em tanto tempo não me era razoável. Resolvi, então testar os sistemas de bicicletas públicos de São Paulo, bancadas por um grande banco. Na primeira utilização me surpreendi, o sistema era fácil e prático de ser usado e a bicicleta de boa qualidade.

Passada uma semana de prós e contras, resolvi que já era tempo de comprar uma bicicleta. Dentre as muitas opções, as dobráveis me chamaram a atenção. Foi-se então mais alguns dias de pesquisas em sites de compras e leitura de detalhados blogs de ciclistas amigos comentando e comparando quais as qualidades e os defeitos de cada tipo e modelo. A decisão final foi tomada na loja (que também levei tempo até escolher o local da compra e dentre as muitas opções me pareceu 'confiável'). O investimento, considerando as possibilidades de bicicletas a disposição, pode ser considerado elevado, porém a partir de agora ela será minha companheira de aventuras - e bota aventuras nisso- e meu principal meio de transporte.

Após mais alguns dias com o meu novo brinquedo, me veio a constatação de que a relação entre todos os atores da mobilidade que disputam lugar no viário urbano não é fácil. Antes como pedestre, eu costumava criticar os motoristas por suas falhas, os motociclistas por sua agressividade e, mais recentemente, os ciclistas pela sua, infelizmente, falta de bom senso. Os primeiros sempre foram considerados os donos da rua e se esquecem que fora da armadura de uma tonelada também são humanos. Os segundos, além de se atentar sobre a disputa centímetro-centímetro nas vias, ainda têm que cumprir prazos e metas de entregas apertadíssimas. Contudo, é com os terceiros que a coisa, no meu ponto de vista, desanda. Promotores de uma - linda - mudança na cultura do automóvel, que apenas recém começa, eles têm lutado diuturnamente para a quebra de paradigmas e a implantação e uma nova mentalidade na cabeça da população. Entretanto, infelizmente, o que se vê - e os casos são enormes - é também a falta de atenção e o não entendimento de que uma vez montada e em circulação, a bicicleta torna-se um veículo e deve seguir pelas mesmas vias - no sentido figurado e real- que os demais veículos: ela tem ainda os mesmos deveres e direitos, e acima de tudo, deve zelar pela proteção do pedestre. Este, que também, não ajuda muito. Agora como ciclista é normal ver pessoas que não olham para os lados ao atravessar, e como a bicicleta é um veículo que não emite ruído, a buzina se faz item fundamental e usada com frequência.

Creio, realmente, que a primeira pedalada foi dada para uma mudança de cultura de todos os envolvidos - pedestres, ciclistas e motoristas - e que as coisas com o tempo irão se acertar. Não é incomum os motoristas olharem para as bicicletas como se elas fossem um ser estranho na via e não saberem como agir.

O logro virá com o tempo, e com muita educação. Não podemos deixar esse bonde passar, a hora da educação inicia-se agora enquanto as bases estão sendo construídas.

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